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quinta-feira, agosto 14, 2014

Falha grave nas conexões USB


Pesquisadores descobrem falha grave nas conexões USB

Gustavo Gusmão, de info

Dois pesquisadores descobriram uma nova falha no funcionamento das conexões USB, que permite que um vírus altere o código no firmware dos dispositivos do gênero.


USB: ameaça não é detectada por antivírus, como são os Malware tradicionais


São Paulo - Os riscos oferecidos por Pen drives são ainda mais graves do que se pensava.

Dois pesquisadores descobriram uma nova falha no funcionamento das conexões USB, que permite que um vírus altere o código no firmware dos dispositivos do gênero – o que cria uma ameaça que não é detectada por antivírus, como são os Malware tradicionais.

A pesquisa de Karsten Nohl e Jakob Lell, do SR Labs, foi divulgada pela Wired e "mostra como a segurança de dispositivos USB está quebrada há tempos”, segundo afirma a matéria.
Um Malware criado por eles, batizado de BadUSB, afeta o controlador dos Pen drives e outros acessórios do tipo, e não fica na memória flash como é de costume.

Quando os dispositivos infectados são conectados a um computador, dão ao atacante a capacidade de tomá-lo por completo – e tudo sem que um software de proteção detecte o ataque.

Funcionamento – Soa como algo que pode ser resolvido de forma não muito complicada, mas não é bem assim.

Para encontrar essa brecha, os dois pesquisadores fizeram engenharia reversa em dispositivos USB, até descobrirem que é possível reprogramar o firmware deles para esconder um código ali.

Tudo porque esses aparelhos não são protegidos nem por um sistema de ACL (lista de controle de acesso), que poderia limitar, com a ajuda de certificados, as empresas que têm acesso ao firmware e são capazes de modificá-lo.

Como esse novo código malicioso implantado fica “longe” da memória flash, ele consegue fugir dos “radares” de antivírus tradicionais.

Isso porque essas soluções costumam trabalhar com um sistema de assinaturas, que detecta as ameaças nos níveis das aplicações, do kernel e dos drivers.

Ou seja, como destacou Lell em entrevista à Wired, alguém do TI de uma empresa poderia muito bem “escanear o Pen drive, apagar alguns arquivos e devolvê-lo ao dono”, sem ter achado nada.

Assim, isso não resolveria em nada o problema, que está muito mais embaixo.

A única forma de corrigi-lo mesmo seria fazer a engenharia reversa, encontrar o código malicioso e fazê-lo voltar ao estado original – que pode muito bem ser desconhecido.
Os riscos – Ficando no exemplo de um Pen drive, o firmware reprogramado poderia mudar o DNS da máquina para redirecionar o tráfego assim que o periférico fosse conectado.
Também poderia agir como um teclado “para digitar comandos de repente” ou mesmo substituir um “programa sendo instalado por uma versão corrompida ou com uma backdoor”, conforme diz a matéria.

Mas como as mudanças no firmware podem ser feitas até em Smartfones ou outros aparelhos conectados à internet, dá para programá-los para agir como um “intruso” nas comunicações enquanto estiver plugado na máquina do alvo.

Uma solução de proteção mais avançada até pode detectar atividades suspeitas (como a transferência de dados para um servidor externo e desconhecido) e impedir a ameaça de agir.

Mas um dispositivo identificado como “teclado”, que estivesse apenas digitando comandos, não seria nada anormal – e continuaria funcionando tranquilamente.

Aliás, no caso da ameaça desenvolvida pelos dois pesquisadores, a alteração no controlador dos periféricos se dá quando eles são conectados em um computador e atingidos pelo tal BadUSB.

Em um cenário assim, daria para se prevenir usando um Pen drive apenas em máquinas confiáveis, evitando que ele fosse infectado e modificado.

Mas sempre existe a possibilidade mais paranoica de o firmware já vir corrompido de fábrica, ou uma alteração ter sido feita antes de um dispositivo chegar às mãos do usuário.

Imagens mostraram que a NSA chegou a interceptar encomendas para implantar backdoors em aparelhos, e o relativamente recente vírus Stuxnet se espalhou mais ou menos dessa forma.

Por isso, não é nada improvável imaginar que algo assim possa acontecer novamente ou já tenha acontecido – ainda mais se levarmos em conta que a brecha existe desde a origem do USB, em meados da década de 90.

Solução? – Não há um patch capaz de corrigir essa vulnerabilidade, e, segundo disseram os dois especialistas à Wired, uma opção seria mudar a forma como utilizamos Pen drives ou outros periféricos do tipo.

Ou seja, evitar conectá-los em qualquer lugar – limitando o uso deles às máquinas confiáveis – e também fugir de dispositivos suspeitos.

Mas além de ser um inconveniente, como mencionado, em um cenário um pouco mais paranoico – embora possível –, mesmo essas medidas não serviriam de muita coisa, a menos que fosse possível checar eventuais alterações feitas no firmware.

E isso, como diz um trecho destacado pelo especialista em segurança Bruce Schneier, é algo quase impossível para um usuário.

Karsten Nohl e Jakob Lell deverão falar mais sobre a descoberta (e demonstrar seu funcionamento) durante a próxima convenção Black Hat, a ser realizada entre os dias 2 e 7 de agosto.

Fonte: Exame


sábado, novembro 05, 2011

Como conquistar o primeiro emprego em TI



Vida Digital - TI

14/10/2011 - 22:06


Sobram vagas na área, mas a exigência das empresas é grande. Para garantir um posto, é fundamental ter sede por conhecimento e atualização

Por James Della Valle

O Senac de São Paulo estima que existam atualmente 100.000 vagas abertas na área de tecnologia da informação (TI) em todo o Brasil. É uma má notícia para a economia do país, que carece de profissionais competentes. Mas é uma grande oportunidade para jovens oriundos de cursos universitários e técnicos que aspiram a uma oportunidade. Para de fato abocanhar uma daquelas 100.000 vagas, alertam analistas e profissionais em atuação na área, é preciso investir na formação e no aprendizado contínuo.

"O ingresso na carreira é sempre difícil, pois as empresas exigem muitos conhecimentos e até experiência anterior dos candidatos", diz Elias Roma Neto, coordenador do curso de TI do Senac. "Mas é importante compreender que esse processo funciona como um filtro para reduzir esforços na seleção: só assim as companhias atraem os profissionais desejados."

Em geral, as companhias – grandes ou pequenas – exigem conhecimentos que estão além do transmitido pelas instituições de ensino. Nesse caso, o coordenador do Senac orienta os candidatos a focar em uma determinada área de TI, dominando habilidades específicas e estudando até particularidades do negócio da empresa que está na mira.  "Sim, os candidatos precisam ver as exigências do possível empregador antes de fazer o teste de admissão", diz. "É o que fazem candidatos qualificados de qualquer área: estudam a empresa em que querem atuar." Nas situações em que experiência prévia é exigida, vale outra orientação. Demonstrar potencial na hora da entrevista pode substituir horas de voo.

Ao lado da alta exigência por parte das empresas, a insuficiência na formação acadêmica é apontada – por analistas e candidatos – como um dos obstáculos mais duros a ser vencidos. Entre as principais reclamações dos alunos, estão a falta de foco das instituições de ensino, acusadas de oferecer apenas conhecimento básico. Ficam de fora saberes exigidos pelo mercado e que fazem grande diferença no currículo de qualquer um que queira ir longe. É o caso das certificações que atestam a proficiência dos estudantes em áreas como linguagens de programação, bancos de dados, sistemas de segurança e criação de projetos – os preços desses cursos variam entre 900 e 9.000 reais. São cifras proibitivas para muitos profissionais em início de carreira.

Danilo Bordini, de 33 anos, 15 deles dedicados a TI, passou por esse problema. Desbravou caminhos e atualmente é gerente de produto para soluções de datacenter e virtualização da Microsoft. Assim que se formou, ele estabeleceu uma estratégia: realizou dois cursos que lhe garantiram duas certificações. Depois, passou a estudar por conta própria, o que tornou o processo menos oneroso: comprava os livros e só pagava pela realização do exame, sempre feita por empresas credenciadas. "Ser autodidata é uma capacidade importante nessa carreira", diz  Bordini. "Mas há uma recompensa: algumas empresas valorizam isso. Por isso, cresci no mercado". É fato: trabalhando há seis anos na gigante do software, já fez apresentações até para Steve Ballmer, atual CEO da Microsoft.

Curiosidade em altas doses e sede por atualização são indispensáveis no setor de tecnologia, que, como poucas áreas, muda em altíssima velocidade. Bordini aposta ainda que aspirantes a um lugar em TI devem acrescentar ao metiê técnico saberes provenientes de outras áreas. "Possuir conhecimentos de administração de empresas, comunicação e relacionamento pessoal são o alicerce de quem quer construir mais e mais alto", diz o executivo.


Confira a seguir como novatos e profissionais bem-sucedidos começaram na área



1 - O desbravador de caminhos


A carreira de Danilo Souza, de 21 anos, deslanchou porque ele teve coragem de investir em uma área que dificilmente atrai a atenção dos iniciantes: qualidade e teste de software, cujo foco é estudar o códigos de programas e descobrir o que pode ser feito para aprimorá-los. Foi assim que ele conquistou um posto no Grupo HDI, de São Paulo. Para conquistar seu espaço, Souza se dedicou intensamente a linguagens específicas, como C e suas variantes, além de desenvolver habilidades na área de lógica e construção de algoritmos. Contar unicamente com a universidade para aprender esses conhecimentos é algo totalmente fora de questão: é preciso colocar em ação sua porção autodidata. Agora, seu principal deseafio é descobrir os segredos das linguagens utilizadas na internet, como PHP e HTML 5. Dominando mais esses conhecimentos, aposta o programador, outras oportunidades surgirão no futuro. "Infelizmente, poucas pessoas entendem um característica essencial da área de tecnologia: é preciso atualizar-se com a mesma velocidade com que surgem as novidades do setor."


2 - De estagiário a gerente em 4 anos


Henrique Dergado, de 21 anos, é um daqueles jovens que transformou prazer em profissão. Aficionado por tecnologia, pediu, aos 16 anos, que os pais o matriculassem em um curso de informática. A vontade de aprender facilitaria a entrada no mercado de trabalho. Em apenas quatro anos, ele passou de estagiário na área de programação a gerente de projetos da Studiorama, em São Paulo. É um feito incomum na área. Atualmente, além de tocar projetos da companhia, ele supervisiona a criação de uma rede social corporativa, que será utilizada pelos colegas de trabalho. De quebra, presta consultoria a projetos externos. "O fato é que existem muita vagas no mercado nacional, mas pouca mão de obra qualificada. Minha ascensão comprova isso", diz. "Uma dica? Foco."


3 - O homem das grandes companhias


Marcelo Pivovar, de 32 anos, começou a carreira como muitos profissionais da área de tecnologia: um estágio patrocinado pela faculdade, onde aprendeu a analisar bancos de dados. A diferença é que ele agarrou a oportunidade como poucos. "Fiquei seis meses no estágio e logo fui selecionado pelo departamento de TI de uma grande empresa do setor alimentício", afirma. O passo seguinte foi especializar-se na área de bancos de dados – fundamental a qualquer companhia de grande porte. O valor de seu passe cresceu entre grandes empresas, como Perdigão, Bradesco e UOL, por onde passou. Simultaneamente, Pivovar investiu na educação contínua: obteve certificações no segmento de banco de dados, uma exigência para prestar serviços a grandes corporações. "Passei por cinco empresas de grande porte que atuavam em diferentes segmentos do mercado: essa experiência me trouxe muito conhecimento e me ensinou a lidar com realidades diferentes", diz.


4 - O gerente da Microsoft


Danilo Bordini, de 33 anos, ocupa um dos cargos mais almejados por profissionais de TI: ele é gerente de produtos para soluções de data center e virtualização na Microsoft, a gigante do software. Ele se iniciou na área aos 14 anos, com um curso de linguagem Basic. No ano seguinte, optou por fazer o ensino médio em escola técnica, que proporcionou sua primeira experiência profissional na área: o desenvolvimento de um sistema de gestão de documentos para o INSS. Com o serviço feito, conseguiu um estágio de supervisão no laboratório do próprio colégio. O aluno de destaque foi indicado professor: aos 18 anos, Bordini começou a dar aulas de processamento de dados. Ele poderia ter continuado na vida acadêmica, mas optou pelo mercado. O currículo exemplar lhe garantiu entrevistas em grandes empresas como a Votorantim, onde conseguiu seu primeiro emprego como analista de sistemas. Os passos seguintes foram a T-Systems e a IBM. Hoje, em sua confortável poltrona na Microsoft, busca jovens profissionais que, como ele, querem algo mais do que cumprir a jornada de trabalho e o salário no fim do mês. "Quando entrevisto candidatos, digo que não procuro o melhor profissional, pois às vezes ele ainda está em formação. Digo que procuro aqueles que tenham vontade de se tornar os melhores profissionais. É uma carreira que exige dedicação."


5 - O aficionado em filmes e redes


O interesse de Rafael Souza, de 19 anos, na área de segurança da informação começou cedo. Fascinado por filmes e desenhos animados sobre o mundo das redes de computadores, logo descobriu o que queria fazer. Aos 16 anos, ingressou em um curso técnico, que franqueou acesso ao primeiro estágio em redes. Sua tarefa nessa primeira etapa da carreira era basicamente montar e monitorar soluções para outras empresas. Um anos depois, assumiu o posto de administrador de redes, quando aprendeu a identificar falhas de segurança em sistemas. Com o foco bem definido, ele seguiu os estudos até conquistar uma espécie de lugar ao sol em TI: analista de redes e segurança da Symantec, uma das companhias de segurança mais importantes do planeta. Os anos seguintes foram dedicados ao aperfeiçoamento. "Cursos de tecnologia funcionam exatamente como o de medicina: você não pode, de jeito nenhum, parar no básico. Especializar-se é preciso. É o que fiz para conquistar meu espaço."

Fonte: Veja Abril