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sábado, novembro 05, 2011

Como conquistar o primeiro emprego em TI


Vida Digital - TI

14/10/2011 - 22:06


Sobram vagas na área, mas a exigência das empresas é grande. Para garantir um posto, é fundamental ter sede por conhecimento e atualização

Por James Della Valle

O Senac de São Paulo estima que existam atualmente 100.000 vagas abertas na área de tecnologia da informação (TI) em todo o Brasil. É uma má notícia para a economia do país, que carece de profissionais competentes. Mas é uma grande oportunidade para jovens oriundos de cursos universitários e técnicos que aspiram a uma oportunidade. Para de fato abocanhar uma daquelas 100.000 vagas, alertam analistas e profissionais em atuação na área, é preciso investir na formação e no aprendizado contínuo.

"O ingresso na carreira é sempre difícil, pois as empresas exigem muitos conhecimentos e até experiência anterior dos candidatos", diz Elias Roma Neto, coordenador do curso de TI do Senac. "Mas é importante compreender que esse processo funciona como um filtro para reduzir esforços na seleção: só assim as companhias atraem os profissionais desejados."

Em geral, as companhias – grandes ou pequenas – exigem conhecimentos que estão além do transmitido pelas instituições de ensino. Nesse caso, o coordenador do Senac orienta os candidatos a focar em uma determinada área de TI, dominando habilidades específicas e estudando até particularidades do negócio da empresa que está na mira.  "Sim, os candidatos precisam ver as exigências do possível empregador antes de fazer o teste de admissão", diz. "É o que fazem candidatos qualificados de qualquer área: estudam a empresa em que querem atuar." Nas situações em que experiência prévia é exigida, vale outra orientação. Demonstrar potencial na hora da entrevista pode substituir horas de voo.

Ao lado da alta exigência por parte das empresas, a insuficiência na formação acadêmica é apontada – por analistas e candidatos – como um dos obstáculos mais duros a ser vencidos. Entre as principais reclamações dos alunos, estão a falta de foco das instituições de ensino, acusadas de oferecer apenas conhecimento básico. Ficam de fora saberes exigidos pelo mercado e que fazem grande diferença no currículo de qualquer um que queira ir longe. É o caso das certificações que atestam a proficiência dos estudantes em áreas como linguagens de programação, bancos de dados, sistemas de segurança e criação de projetos – os preços desses cursos variam entre 900 e 9.000 reais. São cifras proibitivas para muitos profissionais em início de carreira.

Danilo Bordini, de 33 anos, 15 deles dedicados a TI, passou por esse problema. Desbravou caminhos e atualmente é gerente de produto para soluções de datacenter e virtualização da Microsoft. Assim que se formou, ele estabeleceu uma estratégia: realizou dois cursos que lhe garantiram duas certificações. Depois, passou a estudar por conta própria, o que tornou o processo menos oneroso: comprava os livros e só pagava pela realização do exame, sempre feita por empresas credenciadas. "Ser autodidata é uma capacidade importante nessa carreira", diz  Bordini. "Mas há uma recompensa: algumas empresas valorizam isso. Por isso, cresci no mercado". É fato: trabalhando há seis anos na gigante do software, já fez apresentações até para Steve Ballmer, atual CEO da Microsoft.

Curiosidade em altas doses e sede por atualização são indispensáveis no setor de tecnologia, que, como poucas áreas, muda em altíssima velocidade. Bordini aposta ainda que aspirantes a um lugar em TI devem acrescentar ao metiê técnico saberes provenientes de outras áreas. "Possuir conhecimentos de administração de empresas, comunicação e relacionamento pessoal são o alicerce de quem quer construir mais e mais alto", diz o executivo.


Confira a seguir como novatos e profissionais bem-sucedidos começaram na área



1 - O desbravador de caminhos


A carreira de Danilo Souza, de 21 anos, deslanchou porque ele teve coragem de investir em uma área que dificilmente atrai a atenção dos iniciantes: qualidade e teste de software, cujo foco é estudar o códigos de programas e descobrir o que pode ser feito para aprimorá-los. Foi assim que ele conquistou um posto no Grupo HDI, de São Paulo. Para conquistar seu espaço, Souza se dedicou intensamente a linguagens específicas, como C e suas variantes, além de desenvolver habilidades na área de lógica e construção de algoritmos. Contar unicamente com a universidade para aprender esses conhecimentos é algo totalmente fora de questão: é preciso colocar em ação sua porção autodidata. Agora, seu principal deseafio é descobrir os segredos das linguagens utilizadas na internet, como PHP e HTML 5. Dominando mais esses conhecimentos, aposta o programador, outras oportunidades surgirão no futuro. "Infelizmente, poucas pessoas entendem um característica essencial da área de tecnologia: é preciso atualizar-se com a mesma velocidade com que surgem as novidades do setor."


2 - De estagiário a gerente em 4 anos


Henrique Dergado, de 21 anos, é um daqueles jovens que transformou prazer em profissão. Aficionado por tecnologia, pediu, aos 16 anos, que os pais o matriculassem em um curso de informática. A vontade de aprender facilitaria a entrada no mercado de trabalho. Em apenas quatro anos, ele passou de estagiário na área de programação a gerente de projetos da Studiorama, em São Paulo. É um feito incomum na área. Atualmente, além de tocar projetos da companhia, ele supervisiona a criação de uma rede social corporativa, que será utilizada pelos colegas de trabalho. De quebra, presta consultoria a projetos externos. "O fato é que existem muita vagas no mercado nacional, mas pouca mão de obra qualificada. Minha ascensão comprova isso", diz. "Uma dica? Foco."


3 - O homem das grandes companhias


Marcelo Pivovar, de 32 anos, começou a carreira como muitos profissionais da área de tecnologia: um estágio patrocinado pela faculdade, onde aprendeu a analisar bancos de dados. A diferença é que ele agarrou a oportunidade como poucos. "Fiquei seis meses no estágio e logo fui selecionado pelo departamento de TI de uma grande empresa do setor alimentício", afirma. O passo seguinte foi especializar-se na área de bancos de dados – fundamental a qualquer companhia de grande porte. O valor de seu passe cresceu entre grandes empresas, como Perdigão, Bradesco e UOL, por onde passou. Simultaneamente, Pivovar investiu na educação contínua: obteve certificações no segmento de banco de dados, uma exigência para prestar serviços a grandes corporações. "Passei por cinco empresas de grande porte que atuavam em diferentes segmentos do mercado: essa experiência me trouxe muito conhecimento e me ensinou a lidar com realidades diferentes", diz.


4 - O gerente da Microsoft


Danilo Bordini, de 33 anos, ocupa um dos cargos mais almejados por profissionais de TI: ele é gerente de produtos para soluções de data center e virtualização na Microsoft, a gigante do software. Ele se iniciou na área aos 14 anos, com um curso de linguagem Basic. No ano seguinte, optou por fazer o ensino médio em escola técnica, que proporcionou sua primeira experiência profissional na área: o desenvolvimento de um sistema de gestão de documentos para o INSS. Com o serviço feito, conseguiu um estágio de supervisão no laboratório do próprio colégio. O aluno de destaque foi indicado professor: aos 18 anos, Bordini começou a dar aulas de processamento de dados. Ele poderia ter continuado na vida acadêmica, mas optou pelo mercado. O currículo exemplar lhe garantiu entrevistas em grandes empresas como a Votorantim, onde conseguiu seu primeiro emprego como analista de sistemas. Os passos seguintes foram a T-Systems e a IBM. Hoje, em sua confortável poltrona na Microsoft, busca jovens profissionais que, como ele, querem algo mais do que cumprir a jornada de trabalho e o salário no fim do mês. "Quando entrevisto candidatos, digo que não procuro o melhor profissional, pois às vezes ele ainda está em formação. Digo que procuro aqueles que tenham vontade de se tornar os melhores profissionais. É uma carreira que exige dedicação."


5 - O aficionado em filmes e redes


O interesse de Rafael Souza, de 19 anos, na área de segurança da informação começou cedo. Fascinado por filmes e desenhos animados sobre o mundo das redes de computadores, logo descobriu o que queria fazer. Aos 16 anos, ingressou em um curso técnico, que franqueou acesso ao primeiro estágio em redes. Sua tarefa nessa primeira etapa da carreira era basicamente montar e monitorar soluções para outras empresas. Um anos depois, assumiu o posto de administrador de redes, quando aprendeu a identificar falhas de segurança em sistemas. Com o foco bem definido, ele seguiu os estudos até conquistar uma espécie de lugar ao sol em TI: analista de redes e segurança da Symantec, uma das companhias de segurança mais importantes do planeta. Os anos seguintes foram dedicados ao aperfeiçoamento. "Cursos de tecnologia funcionam exatamente como o de medicina: você não pode, de jeito nenhum, parar no básico. Especializar-se é preciso. É o que fiz para conquistar meu espaço."

Fonte: Veja Abril


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